la mano de Dios

Novembro 29, 2008

"la mano se te va sola"

Um amor antigo às vezes volta com inusitado interesse. No meu caso, este amor se chama Maradona. Voltou porque o amigo José Henrique Lopes me pediu para “ajudar” um amigo argentino seu e escrever umas linhas tortas sobre dieguito, agora técnico, para o jornal Perfil, da Argentina. Não só escrevi como aproveitei para comprar a autobiografia (Yo Soy el Diego de la Gente) do craque. Leitura obrigatória para os amantes do futebol. Garantia de boas estórias como esta, abaixo, sobre um antecedente ( El Diez ainda era um menino a jogar no time infantil dos Cebollitas) do famoso gol feito com “la mano de Dios”, ante a Inglaterra, nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 86. A Argentina venceu aquele torneio e Maradona começou a entrar para a História.

“(…) En el Parque Saavedra hice un gol con la mano, los contrarios me vieron, y se fueron encima del referí. Al final le dio el gol y se armó un lío bárbaro… Yo sé que no está bien, pero una cosa es decirlo en frío y otra cosa muy distinta tomar la decisión en la calentura del partido: vos querer llegar a la pelota y la mano se te va sola. Siempre me acuerdo de un árbitro que me anuló un gol que hice con la mano contra Vélez, muchos años después de los Cebollitas y muchos años antes de México ‘86. el me aconsejó que no lo hiciera más; yo le agradecí, pero también le dije que no le podía prometer nada. No sé si él habrá festejado el triunfo contra Inglaterra.”

Gênio.


a magia de uma (vaga) camisa 9

Junho 15, 2008

O último momento marcante daquele camisa 9 de longas melenas deve ter passado despercebido até para a maioria da torcida que gritava o seu nome durante os jogos. Trajando branco, a cor virginal que também vestia quando da maior conquista da história, o jogador, apressado, buscava a bola no fundo do arco adversário depois de ter marcado um gol. Era apenas a partida decisiva das oitavas-de-final da Copa do Brasil. O Beira-Rio havia ansiado calado até aquele momento. A desvantagem era de três gols e aquele era recém o primeiro de cinco tentos que classificariam os vermelhos. Ao final do jogo, a torcida sorria. A esperança havia sido devolvida àquela massa de pedreiros, padeiros, açougueiros e, por que não?, empresários endinheirados que tinham a mesma paixão. Fernandão era o comandante da esperança. Não importava que nos jogos seguintes ficaríamos pelo caminho. Assim havia sido desde que marcou seu primeiro gol pelo Internacional, de cabeça, sua marca registrada, contra o maior adversário de todos, apenas na sua primeira partida pelo clube. Chegou para ser ídolo. Foi ídolo. Agora vai embora. Voa rumo a um oásis de verdes notas no oriente. A camisa 9 está vaga mais uma vez. Talvez para sempre como já haviam ficado vagas a de número 3 de Figueroa e a de número 5 de Falcão. Adeus, capitão.


e nasce o futebol platino. viva o socialismo.

Junho 15, 2008

“Foi um processo irreversível. Como o tango, o futebol cresceu a partir dos subúrbios. Era um esporte que não exigia dinheiro e que podia ser jogado sem nada além da pura vontade. Nos baldios, nos becos e nas praias, os rapazes nativos e os jovens imigrantes improvisavam partidas com bolas feitas de meias velhas, recheadas de trapos ou de papel, e um par de pedras para simular o arco. Graças à linguagem do futebol, que começava a tornar-se universal, os trabalhadores expulsos do campo se entendiam muito bem com os trabalhadores expulsos da Europa. O esperanto da bola unia os nativos pobres com os peões que tinham atravessado o mar vindos de Vigo, de Lisboa, Nápoles, Beirute ou da Bessarábia, e que sonhavam fazer a América levantando paredes, carregando caixotes assando pão ou varrendo ruas. Linda viagem a que havia feito o futebol: tinha sido organizado nos colégios e universidades inglesas, e na América do Sul alegrava a vida de gente que nunca tinha pisado numa escola.”

Trecho de Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano.