O último momento marcante daquele camisa 9 de longas melenas deve ter passado despercebido até para a maioria da torcida que gritava o seu nome durante os jogos. Trajando branco, a cor virginal que também vestia quando da maior conquista da história, o jogador, apressado, buscava a bola no fundo do arco adversário depois de ter marcado um gol. Era apenas a partida decisiva das oitavas-de-final da Copa do Brasil. O Beira-Rio havia ansiado calado até aquele momento. A desvantagem era de três gols e aquele era recém o primeiro de cinco tentos que classificariam os vermelhos. Ao final do jogo, a torcida sorria. A esperança havia sido devolvida àquela massa de pedreiros, padeiros, açougueiros e, por que não?, empresários endinheirados que tinham a mesma paixão. Fernandão era o comandante da esperança. Não importava que nos jogos seguintes ficaríamos pelo caminho. Assim havia sido desde que marcou seu primeiro gol pelo Internacional, de cabeça, sua marca registrada, contra o maior adversário de todos, apenas na sua primeira partida pelo clube. Chegou para ser ídolo. Foi ídolo. Agora vai embora. Voa rumo a um oásis de verdes notas no oriente. A camisa 9 está vaga mais uma vez. Talvez para sempre como já haviam ficado vagas a de número 3 de Figueroa e a de número 5 de Falcão. Adeus, capitão.
Escrito por otranseunte