a magia de uma (vaga) camisa 9

Junho 15, 2008

O último momento marcante daquele camisa 9 de longas melenas deve ter passado despercebido até para a maioria da torcida que gritava o seu nome durante os jogos. Trajando branco, a cor virginal que também vestia quando da maior conquista da história, o jogador, apressado, buscava a bola no fundo do arco adversário depois de ter marcado um gol. Era apenas a partida decisiva das oitavas-de-final da Copa do Brasil. O Beira-Rio havia ansiado calado até aquele momento. A desvantagem era de três gols e aquele era recém o primeiro de cinco tentos que classificariam os vermelhos. Ao final do jogo, a torcida sorria. A esperança havia sido devolvida àquela massa de pedreiros, padeiros, açougueiros e, por que não?, empresários endinheirados que tinham a mesma paixão. Fernandão era o comandante da esperança. Não importava que nos jogos seguintes ficaríamos pelo caminho. Assim havia sido desde que marcou seu primeiro gol pelo Internacional, de cabeça, sua marca registrada, contra o maior adversário de todos, apenas na sua primeira partida pelo clube. Chegou para ser ídolo. Foi ídolo. Agora vai embora. Voa rumo a um oásis de verdes notas no oriente. A camisa 9 está vaga mais uma vez. Talvez para sempre como já haviam ficado vagas a de número 3 de Figueroa e a de número 5 de Falcão. Adeus, capitão.


e nasce o futebol platino. viva o socialismo.

Junho 15, 2008

“Foi um processo irreversível. Como o tango, o futebol cresceu a partir dos subúrbios. Era um esporte que não exigia dinheiro e que podia ser jogado sem nada além da pura vontade. Nos baldios, nos becos e nas praias, os rapazes nativos e os jovens imigrantes improvisavam partidas com bolas feitas de meias velhas, recheadas de trapos ou de papel, e um par de pedras para simular o arco. Graças à linguagem do futebol, que começava a tornar-se universal, os trabalhadores expulsos do campo se entendiam muito bem com os trabalhadores expulsos da Europa. O esperanto da bola unia os nativos pobres com os peões que tinham atravessado o mar vindos de Vigo, de Lisboa, Nápoles, Beirute ou da Bessarábia, e que sonhavam fazer a América levantando paredes, carregando caixotes assando pão ou varrendo ruas. Linda viagem a que havia feito o futebol: tinha sido organizado nos colégios e universidades inglesas, e na América do Sul alegrava a vida de gente que nunca tinha pisado numa escola.”

Trecho de Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano.


só ouvimos o nome de isabella

Abril 6, 2008

É a notícia da semana no Brasil: o comovente assassinato de Isabella. Nas rodas de bar, no trabalho, nas ruas, em todo o lugar se fala do fato. A imprensa aborda a morte da menina com a delicadeza costumeira. Não respeita sequer o luto da família da criança. Não pede permissão. Vai vasculhando, afinal, o povo quer saber. E eu me pergunto: isso tudo está certo?


sobre cotas

Abril 6, 2008

Melancolicamente zapeando canais da TV em uma noite de sábado, me deparo com um debate sobre cotas para negros nas universidades. Duas meninas negras, bonitas como só elas, lançam farpas contra e a favor da medida no programa do Serginho Groismann, que não sei e nem quero saber o nome. Sobre cotas, o transeunte tem uma opinião. “É uma pequena injustiça para tentar iniciar uma fase de solução de uma grande injustiça histórica pela qual passaram os negros nascidos neste país.” A frase é do senador Cristovam Buarque e sacramentou minha opinião. Não esqueçemos que as cotas são um paliativo, blá, blá, blá…Como disse o senador, é só o começo de um olhar mais inclusivo para o negro. E mais: o problema das cotas nas universidades nem é a maior dificuldade da educação no Brasil. Quem sabe falamos um pouco mais sobre educação básica de qualidade para o brasileiro?!


huck, o intelectual(óide)

Março 29, 2008

Agora me vem Luciano Huck opinar sobre a epidemia de dengue do Rio que respingou nele também. Pois o mais novo intelectual brasileiro culpa as autoridades sanitárias. Que o dr sabe-tudo me permita discordar. Está claro, basta acompanhar as inúmeras campanhas educativas nos meios de comunicação ou mesmo falar com um médico, que a única forma de tentar parar a doença é acabando com os focos do mosquito que a transmite. Como fazer isso? Eliminando qualquer recipiente que contenha água parada. Pois é claro que são poucos funcionários para fiscalizar a casa de todo mundo e a população precisa fazer a sua parte. Pneus velhos, vasos de plantas e até piscinas com água parada devem ser esvaziados. É a única forma. Mas dr Huck prefere aconselhar as crianças a usarem repelente antes de irem ao banheiro. Que figurinha hein, ô?! Sem falar que anda meio azarado…


cidade surda

Março 29, 2008

Enfim, as trevas. Os olhos, porém, teimavam em não ficar cerrados. Havia barulho, apesar do adiantado da hora. Caminhões de lixo, lixo de caminhões. Automóveis, ônibus. Motores descompassados a atormentar uma mente insone. Foram duas, três horas de calvário até o cansaço conseguir dominar a situação. Horas perdidas. São Paulo não se cala um minuto sequer. E incomoda os tímpanos. Me pergunto: por que ninguém pensou ainda em uma lei cidade surda? Será que é possível calar essa cidade? À noite, ao menos, eu bem que gostaria.


novo. de novo.

Março 4, 2008

Por meses já não atualizava o transeunte antigo e tosco (otranseunte.zip.net). Entonces, por que não fundar um novo?! Agora nesse tal de wordpress, o objetivo é não ter objetivo nenhum. Darei opiniões sobre tudo principalmente quando não souber de nada. Divirta-se. Ou mude de canal.